Vender marmita dá dinheiro?
Quanto custa cada marmita, quanto sobra de cada venda, quantas por dia pagam as contas, o peso do aplicativo e a nossa resposta.
Vender marmita é das ideias de renda extra mais procuradas no Google no Brasil, e é um mercado grande: só no estado de São Paulo há cerca de 121 mil pequenos negócios de marmita, três em cada quatro registrados como MEI. Fizemos as contas: quanto custa cada marmita, quanto sobra de cada venda, quantas por dia pagam as contas e quanto o aplicativo de entrega leva.
O negócio em números
| Item | Valor | Base |
|---|---|---|
| Preço mais comum da marmita | R$ 21 a R$ 30 (65% dos negócios) | Sebrae-SP, jul 2026 |
| Investimento inicial (mediana) | R$ 3.000 | Sebrae-SP, jul 2026 |
| Faturamento médio por mês | R$ 4.191 | Sebrae-SP, jul 2026 |
| Faixa de vendas mais comum | 151 a 300 marmitas por mês | Sebrae-SP, jul 2026 |
| Comissão do iFood com entrega | 23% + 3,2% do pagamento online | Serasa, jun 2026 |
| Imposto do MEI | R$ 87,05 por mês | Contabilidade.com, jun 2026 |
Os números da pesquisa são do estado de São Paulo. Use-os como ponto de partida e troque pelos seus na ferramenta do fim desta página.
Quanto custa começar
O Sebrae-SP ouviu 400 MEIs de marmita em maio de 2026. Metade começou com até R$ 3.000: panelas grandes, freezer, balança, embalagens e o primeiro estoque. Seis em cada dez trabalhavam com carteira assinada antes de abrir o negócio.

Quanto sobra de cada marmita
Montamos uma marmita de almoço com arroz, feijão, 200 gramas de carne ou frango e salada. Pelos nossos preços de supermercado, a comida sai por cerca de R$ 8,20, a embalagem de alumínio com tampa, talher e sacola por R$ 1,50, e o gás e a energia por R$ 0,80. São R$ 10,50 por marmita, vendida a R$ 22, o preço mais comum na pesquisa.

Descontando uma taxa média de maquininha de 2%, sobram cerca de R$ 11 por marmita, metade do preço. É a maior sobra por venda entre os negócios de comida feitos em casa desta série. O ingrediente que decide a conta é a carne: sozinha, ela custa R$ 4,80, quase metade do custo total.
As contas fixas do mês
| Conta | Por mês |
|---|---|
| Imposto do MEI | R$ 87,05 |
| Internet e celular | R$ 60,00 |
| Divulgação | R$ 100,00 |
| Gasolina para entregas | R$ 250,00 |
| Desgaste de panelas e utensílios | R$ 40,00 |
| Energia extra da geladeira e do freezer | R$ 60,00 |
| Total | R$ 597,05 |
O imposto é o do MEI em 2026. Os outros valores são estimativas nossas para quem cozinha em casa e entrega por conta própria.
Quantas marmitas por dia
Com R$ 11 de sobra por marmita e R$ 597 de contas fixas, considerando 22 dias de trabalho por mês:

- Para empatar, sem tirar nada para você: cerca de 3 marmitas por dia.
- Para tirar um salário mínimo (R$ 1.621 em 2026): cerca de 10 por dia.
- Para tirar R$ 3 mil: cerca de 15 por dia, já acima do limite do MEI, que fica em umas 14 por dia.
- Para tirar R$ 5 mil: cerca de 24 por dia, só como microempresa.
Doze marmitas por dia rendem cerca de R$ 2.320 por mês depois das contas fixas. Em seis horas de trabalho por dia, entre comprar, cozinhar, embalar e entregar, são uns R$ 17 por hora. O faturamento médio da pesquisa, R$ 4.191 por mês, equivale a umas 9 marmitas de R$ 22 por dia: com as nossas contas, sobrariam cerca de R$ 1.500.
O que quase ninguém conta
O aplicativo leva metade da sobra. Metade dos negócios da pesquisa vende por aplicativo. No plano com entrega do iFood, a comissão é de 23%, mais 3,2% do pagamento online. Numa marmita de R$ 22, isso dá uns R$ 5,76, e a sobra cai de R$ 11 para menos de R$ 6. O aplicativo serve para achar cliente novo; a venda que paga as contas é a do WhatsApp, que 79% dos negócios já usam.
O MEI fica pequeno rápido. Com marmita de R$ 22, o limite do MEI, de R$ 81 mil por ano, chega com umas 14 marmitas por dia. Quem passa disso precisa virar microempresa, pagar mais imposto e ter contador.
O cliente compra todo dia, e por isso cobra todo dia. Quase metade dos clientes da pesquisa compra de cinco a sete vezes por semana. É uma vantagem: a venda se repete. Mas um dia de comida ruim ou atraso perde um cliente que valia 20 marmitas por mês.
Controlar custo é o maior desafio. Na pesquisa, 42% dos donos de marmitaria apontam o controle de custos como o principal problema, à frente da concorrência. Anotar o custo de cada ingrediente, toda semana, é o que separa quem lucra de quem só trabalha.
DÁ DINHEIRO?
Dá, com clientes fixos e entrega própria
Entre os negócios de comida feitos em casa desta série, a marmita é o de maior sobra por venda: mais de R$ 11 de cada R$ 22, se a venda for direta. Dá dinheiro se você:
- vender direto, pelo WhatsApp, e usar o aplicativo só para conseguir clientes novos;
- tiver clientes fixos, com plano semanal ou mensal, para saber quanto cozinhar;
- controlar o custo da carne, que é mais da metade do custo da marmita.
Não vale se tudo passa pelo aplicativo: no plano com entrega do iFood, a sobra de cada marmita cai quase pela metade.
FERRAMENTA DA EDIÇÃO
Sua marmita fecha a conta?
Troque os números de exemplo pelos seus e veja quantas marmitas por dia você precisa vender. Se vende pelo aplicativo, some a comissão à taxa de custo.
A planilha traz a ficha técnica para calcular o custo exato da sua marmita, as contas fixas e o checklist Antes de começar, com sete perguntas.
Fontes
- Sebrae-SP, "Perfil e desafios dos negócios de marmitas", jul 2026: pesquisa com 400 MEIs do estado de São Paulo, com preços, vendas, faturamento, investimento, canais e desafios.
- Serasa, "Como abrir loja no iFood", atualizado em 19 jun 2026: planos e comissões do iFood.
- Contabilidade.com, "CNAE 5620-1/04: pode ser MEI?", 2026: imposto do MEI e limite de faturamento.
Contas do J. Galt com base nas fontes acima. Os custos de ingredientes são estimativas nossas e mudam por cidade e fornecedor; use a ferramenta para refazer com os seus números.