Vender salgados dá dinheiro?
Quanto custa cada coxinha, quanto sobra do cento, quantos salgados por dia pagam as contas e a nossa resposta.
Vender salgados é das ideias de renda extra mais procuradas no Google no Brasil, quase empatada com o brigadeiro. Coxinha, kibe e risole estão em toda festa e toda lanchonete, e dá para começar na cozinha de casa. Fizemos as contas: quanto custa cada salgado, quanto sobra do cento, quantos você precisa vender por dia e o que quase ninguém conta antes da primeira fritura.
O negócio em números
| Item | Valor | Base |
|---|---|---|
| Insumos de um cento de festa | R$ 18 a R$ 22 | Catraca Livre, jan 2026 |
| Preço do cento | R$ 50 a R$ 60 | Catraca Livre, jan 2026 |
| Investimento médio para começar na salgaderia | R$ 5.345 | Sebrae-SP, dez 2025 |
| Imposto do MEI (salgadeiro) | R$ 87,05 por mês | Contabilidade.com, jun 2026 |
| Limite de faturamento do MEI | R$ 81 mil por ano | Contabilidade.com, jun 2026 |
Os preços mudam de cidade para cidade. Use os números como ponto de partida e troque pelos seus na ferramenta do fim desta página.
Quanto custa começar
Na pesquisa do Sebrae-SP com 900 empreendedores de confeitaria e salgaderia, o investimento médio para começar foi de R$ 5.345. Para quem vai fazer só salgados em casa, o essencial é menos: uma fritadeira elétrica ou um tacho, panelas grandes, formas, espaço no freezer e o primeiro estoque. Na nossa estimativa, cerca de R$ 2.000.

O equipamento que mais pesa é o freezer. Sem ele, cada encomenda precisa ser feita do zero, no dia. Com ele, você produz em lote, congela o salgado cru e frita só na hora da entrega.
Quanto sobra de cada salgado
Um levantamento publicado em janeiro de 2026 estimou entre R$ 18 e R$ 22 de insumos para um cento de salgados de festa, vendido entre R$ 50 e R$ 60. Na nossa conta, usamos R$ 20 de massa, recheio, empanamento e óleo, mais R$ 3 de gás e R$ 3 da caixa. São R$ 26 por cento, ou R$ 0,26 por salgado, vendido a R$ 0,55.

Descontando uma taxa média de maquininha de 2%, sobram cerca de R$ 0,28 por salgado, ou R$ 28 por cento. É pouco mais de metade do preço, mas, em reais, menos da metade do que sobra de um cento de brigadeiro. O salgado paga menos por unidade e pede mais trabalho: massa, recheio, empanamento e fritura.
As contas fixas do mês
| Conta | Por mês |
|---|---|
| Imposto do MEI (salgadeiro) | R$ 87,05 |
| Internet e celular | R$ 60,00 |
| Divulgação e entregas | R$ 100,00 |
| Desgaste de fritadeira e panelas | R$ 30,00 |
| Total | R$ 277,05 |
O imposto é o do MEI em 2026 para a atividade de salgadeiro, que soma INSS, ICMS e ISS. Os outros valores são estimativas nossas para quem produz em casa e vende por encomenda.
Quantos salgados por dia
Com R$ 0,28 de sobra por salgado e R$ 277 de contas fixas, considerando 22 dias de produção por mês:

- Para empatar, sem tirar nada para você: cerca de 46 salgados por dia, ou dez centos por mês.
- Para tirar um salário mínimo (R$ 1.621 em 2026): cerca de 310 por dia, 68 centos por mês.
- Para tirar R$ 3 mil: cerca de 534 por dia.
- Para tirar R$ 5 mil: cerca de 860 por dia, acima do limite do MEI.
Três centos por dia rendem cerca de R$ 1.560 por mês depois das contas fixas. Em cinco horas de trabalho por dia, são uns R$ 14 por hora. É bem mais que o salário mínimo por hora, mas pede um ritmo de fábrica pequena, todos os dias úteis.
O que quase ninguém conta
O cliente fixo vale mais que a festa. Festa de conhecido paga bem, mas aparece de vez em quando. Uma lanchonete ou padaria que compra salgado cru congelado toda semana garante o volume que a conta exige. O preço por unidade cai, mas a venda deixa de depender de sorte.
Óleo e gás somem da conta. É o custo que mais gente esquece de anotar. O óleo perde qualidade a cada fritura e precisa ser trocado; o gás de uma tarde inteira de fritura pesa. Se a sua conta não inclui os dois, o seu preço está errado.
Vender é mais difícil que fazer. Na pesquisa do Sebrae-SP, metade dos negócios de confeitaria e salgaderia vende até 150 unidades por mês, e 82% vendem principalmente para vizinhos, amigos e família. Com 150 salgados por mês, sobram uns R$ 42, longe de pagar as contas fixas.
Comida tem regra. O salgadeiro pode ser MEI, mas a venda de comida segue as normas sanitárias da sua cidade. Para vender a lanchonetes e bufês, a vigilância sanitária costuma exigir mais do que para encomendas de vizinhos.
DÁ DINHEIRO?
Dá, se você vender em volume
O salgado tem margem menor que o doce e dá mais trabalho por unidade: massa, recheio, empanamento e fritura. Dá dinheiro se você:
- tiver clientes que compram toda semana, como lanchonetes, padarias e bufês, e não só festas de conhecidos;
- produzir em lote e congelar, para fritar só na hora e não perder salgado;
- controlar o custo do óleo e do gás, que somem da conta de quem não anota.
Não vale para quem quer pouco trabalho: um salário mínimo pede cerca de 310 salgados por dia, mais de três centos, todos os dias.
FERRAMENTA DA EDIÇÃO
Seus salgados fecham a conta?
Troque os números de exemplo pelos seus e veja quantos salgados por dia você precisa vender.
A planilha traz a ficha técnica para calcular o custo exato do seu salgado, as contas fixas e o checklist Antes de começar, com sete perguntas.
Fontes
- Catraca Livre, "Quantos salgadinhos de festa que você precisa fritar pra lucrar mil reais por mês", 25 jan 2026: custo dos insumos e preço do cento.
- Diário do Grande ABC, "Pesquisa revela que custo médio para começar na confeitaria em SP é de R$ 5,3 mil", 12 dez 2025: pesquisa do Sebrae-SP com 900 empreendedores de confeitaria e salgaderia.
- Contabilidade.com, "CNAE 5620-1/04 – Salgadeiro(a) independente: pode ser MEI?", 2026: imposto do MEI e limite de faturamento.
Contas do J. Galt com base nas fontes acima. Os valores mudam por cidade, fornecedor e canal de venda; use a ferramenta para refazer com os seus números.