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Dá Dinheiro?

Vender bolo de pote dá dinheiro?

Quanto custa cada pote, quanto sobra de cada venda, quantos potes por dia pagam as contas e a nossa resposta.

Fatia de bolo de chocolate em camadas de massa e creme
Camadas de massa e creme: o mesmo bolo que vai para o pote. Foto: Daria YakovlevaMinor edits made by Subsidiary account, CC0, via Wikimedia Commons

Vender bolo de pote é das ideias de renda extra mais procuradas no Google no Brasil, logo atrás do brigadeiro e dos salgados. É um bolo comum, montado em camadas num pote com tampa, vendido a cerca de R$ 10. Fizemos as contas: quanto custa cada pote, quanto sobra de cada venda, quantos potes por dia pagam as contas e o que quase ninguém conta antes da primeira fornada.

O negócio em números

ItemValorBase
Preço de um poteR$ 7 a R$ 10meutudo, 2025; Catraca Livre, jan 2026
Custo de recheio e embalagem por poteR$ 3,20Catraca Livre, jan 2026
Para começarmenos de R$ 200 em ingredientes e potesmeutudo, 2025
Validade na geladeiraaté 5 diasmeutudo, 2025
Imposto do MEI (doceiro)R$ 87,05 por mêsContabilidade.com, jun 2026

Os preços mudam de cidade para cidade. Use os números como ponto de partida e troque pelos seus na ferramenta do fim desta página.

Quanto custa começar

Com menos de R$ 200 dá para comprar ingredientes e potes para a primeira leva. Para trabalhar toda semana, entram formas, uma batedeira simples, espaço na geladeira e potes em quantidade, que saem mais baratos no atacado. Na nossa estimativa, cerca de R$ 1.500. A pesquisa do Sebrae-SP com 900 confeiteiros e salgadeiros chegou a um investimento médio de R$ 5.345, mas inclui quem montou cozinha completa.

Bolo de chocolate com recheio cremoso na vitrine de uma confeitaria em Mogi das Cruzes
Bolo de chocolate na vitrine de uma confeitaria em Mogi das Cruzes (SP). Foto: Tet, CC0, via Wikimedia Commons

Quanto sobra de cada pote

Um levantamento publicado em janeiro de 2026 calculou R$ 3,20 por pote para leite condensado, creme de leite, chocolate ou frutas e a embalagem. Somamos a massa do bolo e o gás, que a conta não separava: na nossa estimativa, cada pote sai por R$ 4,00 e é vendido a R$ 10.

De cada pote de R$ 10,00: massa e recheio R$ 2,80, pote, tampa e colher R$ 1,00, gás e energia R$ 0,20, maquininha R$ 0,20, sobra para contas e salário R$ 5,80

Descontando uma taxa média de maquininha de 2%, sobram cerca de R$ 5,80 por pote. É a maior sobra por unidade entre os doces desta série: um pote deixa o mesmo que oito brigadeiros. Repare na embalagem: pote, tampa, colher e etiqueta custam R$ 1 por venda, um quarto do custo total.

As contas fixas do mês

ContaPor mês
Imposto do MEI (doceiro)R$ 87,05
Internet e celularR$ 60,00
Divulgação e entregasR$ 100,00
Energia extra da geladeiraR$ 40,00
Desgaste de formas e utensíliosR$ 20,00
TotalR$ 307,05

O imposto é o do MEI em 2026 para a atividade de doceiro. Os outros valores são estimativas nossas para quem produz em casa.

Quantos potes por dia

Com R$ 5,80 de sobra por pote e R$ 307 de contas fixas, considerando 22 dias de trabalho por mês:

Potes por dia: 3 para empatar, 16 para um salário mínimo, 26 para R$ 3 mil, 42 para R$ 5 mil; limite do MEI em cerca de 31
  • Para empatar, sem tirar nada para você: cerca de 3 potes por dia.
  • Para tirar um salário mínimo (R$ 1.621 em 2026): cerca de 16 por dia.
  • Para tirar R$ 3 mil: cerca de 26 por dia.
  • Para tirar R$ 5 mil: cerca de 42 por dia, acima do limite do MEI, que fica em uns 31 potes por dia.

Quinze potes por dia rendem cerca de R$ 1.600 por mês depois das contas fixas. Em quatro horas de trabalho por dia, entre assar, montar e vender, são uns R$ 18 por hora. A matéria de janeiro dizia que 240 potes por mês dão pouco mais que um salário; com a massa, o gás e as contas fixas na conta, sobram uns R$ 1.085, um pouco menos que o mínimo.

O que quase ninguém conta

O ponto vende, o Instagram ajuda. Bolo de pote é compra de impulso, de sobremesa depois do almoço. Vende melhor onde as pessoas passam todo dia: escritórios, faculdades, salões de beleza, academias. Uma caixa térmica num ponto fixo vende mais que dez posts.

Pote parado vira prejuízo. O bolo de pote dura até cinco dias na geladeira. Quem produz demais joga fora a margem. O caminho é produzir por encomenda ou em lotes pequenos e anotar a validade em cada pote.

O limite do MEI chega rápido. Por ser um produto de R$ 10, o bolo de pote bate o teto do MEI, de R$ 81 mil por ano, com uns 31 potes por dia. É um bom problema, mas muda a conta: acima disso, o negócio vira microempresa e paga mais imposto.

Comida tem regra. O doceiro pode ser MEI, mas a venda de comida segue as normas sanitárias da sua cidade. Para vender em lojas e cafés, a vigilância sanitária costuma pedir rótulo com validade e ingredientes.

DÁ DINHEIRO?

Dá, com ponto de venda certo

Entre os doces desta série, o bolo de pote é o que mais deixa por unidade: quase R$ 6 de cada R$ 10. A conta fecha com poucas vendas por dia. Dá dinheiro se você:

  1. tiver onde vender todo dia: escritórios, faculdades, salões e lojas parceiras;
  2. produzir só o que vai vender, porque o pote dura poucos dias na geladeira;
  3. souber o custo de cada pote, com a embalagem, que pesa mais do que parece.

Não vale sem ponto de venda: um salário mínimo pede cerca de 16 potes por dia, todo dia útil, e pote parado vira prejuízo em menos de uma semana.

FERRAMENTA DA EDIÇÃO

Seu bolo de pote fecha a conta?

Troque os números de exemplo pelos seus e veja quantos potes por dia você precisa vender.

Sobra de cada pote
Lucro do mês, antes do seu salário
Quanto você ganha por hora
Potes por dia para empatar
Potes por dia para tirar o que você quer
Meses para recuperar o investimento

Baixar a planilha (Excel e Google Planilhas)

A planilha traz a ficha técnica para calcular o custo exato do seu pote, as contas fixas e o checklist Antes de começar, com sete perguntas.

Fontes

Contas do J. Galt com base nas fontes acima. Os valores mudam por cidade, fornecedor e ponto de venda; use a ferramenta para refazer com os seus números.