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Dá Dinheiro?

Carrinho de cachorro-quente dá dinheiro?

Quanto custa começar, quanto sobra de cada lanche, quantos lanches por dia pagam as contas e a nossa resposta.

Carrinho de cachorro-quente com guarda-sol numa rua
Carrinho de cachorro-quente no French Quarter, em Nova Orleans, nos Estados Unidos. Foto: Carol M. Highsmith, Public domain, via Wikimedia Commons

Um carrinho de cachorro-quente é um dos negócios mais baratos de abrir no Brasil e um dos que mais aparecem quando alguém pensa em ter renda própria. Fizemos as contas: quanto custa começar, quanto sobra de cada lanche, quantos lanches por dia pagam as contas e o que quase ninguém conta antes de você comprar o carrinho.

O negócio em números

ItemValorBase
Investimento para começarR$ 5 mil a R$ 12 milControleNaMão, dez 2025
Preço de um lanche simplesR$ 10,00Catraca Livre, jan 2026
Custo de pão, salsicha e molhosR$ 3,20 por lancheCatraca Livre, jan 2026
Embalagem e gásR$ 0,80 por lancheCatraca Livre, jan 2026
Imposto do MEI (comércio)R$ 82,05 por mêsO Povo, jan 2026
Limite de faturamento do MEIR$ 81 mil por anoO Povo, jan 2026

Os custos variam por cidade e por fornecedor. Use os números como ponto de partida e troque pelos seus na ferramenta do fim desta página.

Quanto custa começar

O guia do Sebrae para esse negócio lista um investimento de cerca de R$ 7 mil: um carrinho simples por R$ 3.200, estufa, banquetas, mesa, celular, a formalização e dois meses de capital de giro e de estoque. O guia é antigo e os preços subiram desde então. Um levantamento publicado em dezembro de 2025 estima entre R$ 5 mil e R$ 12 mil, dependendo do carrinho e dos equipamentos.

Barraquinha de cachorro-quente em Osasco, São Paulo
Barraquinha de cachorro-quente em Osasco (SP). Foto: Beatriz Lopes N, CC BY 4.0, via Wikimedia Commons

É pouco perto de quase qualquer outro negócio com ponto físico. Mas o carrinho não é o maior custo de entrada. O maior custo é o tempo até descobrir se o ponto escolhido vende.

Quanto sobra de cada lanche

Num lanche simples vendido a R$ 10, cerca de R$ 3,20 vão para pão, salsicha e molhos e R$ 0,80 para embalagem e gás. Se o cliente paga no cartão, a maquininha leva mais um pouco; nas nossas contas, consideramos 2% em média, já que parte das vendas vem por Pix, que costuma não ter taxa.

De cada lanche de R$ 10: R$ 3,20 de insumos, R$ 0,80 de embalagem e gás, R$ 0,20 de maquininha e R$ 5,80 de sobra

Sobram cerca de R$ 5,80 por lanche para pagar as contas fixas do mês e o seu salário. É uma margem alta para comida: mais da metade do preço. Por isso o negócio parece tão bom no papel. O problema não está na margem, está no volume.

As contas fixas do mês

ContaPor mês
Imposto do MEIR$ 82,05
Licença e taxas da prefeituraR$ 400,00
Água, luz e telefoneR$ 100,00
Limpeza e higieneR$ 50,00
Desgaste do carrinhoR$ 30,00
TotalR$ 662,05

Imposto do MEI de 2026. Os demais valores seguem o exemplo do guia do Sebrae e mudam muito de cidade para cidade: em São Paulo, por exemplo, a autorização sai pelo programa Tô Legal, da prefeitura, que reduziu as taxas pela metade em 2025.

Quantos lanches por dia

Com R$ 5,80 de sobra por lanche e R$ 662 de contas fixas, a conta é direta. Considerando 26 dias de trabalho por mês:

Lanches por dia: 5 para empatar, 16 para um salário mínimo, 25 para R$ 3 mil e 38 para R$ 5 mil; limite do MEI em cerca de 26
  • Para empatar, sem tirar nada para você: cerca de 5 lanches por dia.
  • Para tirar um salário mínimo (R$ 1.621 em 2026): cerca de 16 por dia.
  • Para tirar R$ 3 mil: cerca de 25 por dia.
  • Para tirar R$ 5 mil: cerca de 38 por dia.

Vender 30 lanches por dia rende cerca de R$ 3.860 por mês depois das contas fixas. Parece bom, até dividir pelas horas: num dia de 10 horas, com preparo, deslocamento e limpeza, são uns R$ 15 por hora. É o dobro do que paga um salário mínimo por hora, mas sem férias, sem décimo terceiro e sem renda nos dias de chuva.

O que quase ninguém conta

O ponto é o negócio. O mesmo carrinho vende 10 lanches numa rua e 60 em outra. Antes de investir, passe alguns dias no lugar escolhido, no horário em que pretende trabalhar, contando quantas pessoas passam e quantas param para comer na rua.

Sem licença, o risco é perder tudo. Comércio na rua depende de autorização da prefeitura. Sem ela, a fiscalização pode apreender o carrinho e a mercadoria. Também é preciso seguir as regras de higiene da Anvisa para serviços de alimentação.

O sucesso estoura o MEI. O limite do MEI é de R$ 81 mil por ano, cerca de R$ 6.750 por mês. A R$ 10 o lanche, isso dá uns 26 lanches por dia. Acima disso, o negócio precisa virar microempresa, com mais imposto e contador, e a conta acima muda.

Funcionário custa caro. O MEI pode ter um empregado, mas um salário mínimo com encargos sai por cerca de R$ 1.800. Só para pagá-lo são mais 12 lanches por dia.

DÁ DINHEIRO?

Dá, com três condições

Como primeiro negócio, o carrinho de cachorro-quente é uma das formas mais baratas de aprender a vender, controlar custo e lidar com cliente. A margem por lanche é alta e o investimento se paga em poucos meses. Vale a pena se você:

  1. conseguir a licença da prefeitura antes de começar;
  2. testar um ponto que venda pelo menos 25 lanches por dia;
  3. estiver disposto a trabalhar no carrinho, porque o lucro depende das suas horas.

Não vale para quem procura renda sem trabalhar no balcão: com funcionário e sem o dono, sobra pouco.

FERRAMENTA DA EDIÇÃO

O seu carrinho fecha a conta?

Troque os números de exemplo pelos do seu ponto e da sua cidade e veja quantos lanches por dia você precisa vender.

Sobra de cada lanche
Lucro do mês, antes do seu salário
Quanto você ganha por hora
Lanches por dia para empatar
Lanches por dia para tirar o que você quer
Meses para recuperar o investimento

Baixar a planilha (Excel e Google Planilhas)

A planilha traz a ficha técnica para calcular o custo exato do seu lanche, as contas fixas e o checklist Antes de comprar o carrinho, com sete perguntas.

Fontes

Contas do J. Galt com base nas fontes acima. Os valores mudam por cidade, fornecedor e ponto; use a ferramenta para refazer com os seus números.